Como funciona o financiamento no Brasil
Financiar um bem significa parcelar o pagamento de um valor emprestado por uma instituição financeira, que cobra juros sobre o saldo devedor ao longo do tempo. No Brasil, os dois sistemas de amortização mais usados em financiamentos de imóveis e veículos são a Tabela Price e o Sistema de Amortização Constante (SAC). Embora ambos partam do mesmo valor financiado, da mesma taxa de juros mensal e do mesmo número de parcelas, eles distribuem o pagamento de formas diferentes ao longo do contrato — e essa diferença impacta tanto o valor de cada parcela quanto o total pago ao final.
Tabela Price: parcelas fixas
Na Tabela Price, todas as parcelas têm exatamente o mesmo valor do primeiro ao último mês. Isso é possível porque a composição interna da parcela muda: no início do contrato, como o saldo devedor é maior, uma fatia maior da parcela é destinada ao pagamento de juros, e uma fatia menor à amortização (redução do saldo devedor). Com o passar dos meses, o saldo devedor diminui, os juros cobrados sobre ele também diminuem, e a parte da parcela destinada à amortização aumenta — mesmo com o valor total da parcela permanecendo igual. Esse sistema é bastante usado em financiamento de veículos e também em muitos contratos de financiamento imobiliário, principalmente por facilitar o planejamento financeiro de quem paga sempre o mesmo valor todo mês.
Sistema SAC: amortização constante
No SAC, o valor amortizado (a redução do saldo devedor) é fixo em todas as parcelas — ele é simplesmente o valor financiado dividido pelo número de parcelas. O que varia é o valor dos juros, que incide sobre o saldo devedor remanescente: como esse saldo é maior no começo do contrato, as primeiras parcelas do SAC são mais altas, e à medida que o saldo diminui, os juros cobrados caem e a parcela também vai diminuindo mês a mês. Esse sistema é o padrão utilizado pela Caixa Econômica Federal e por diversos bancos em financiamentos imobiliários no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), justamente por resultar em um total de juros pagos geralmente menor do que a Tabela Price, no mesmo prazo e taxa.
Qual sistema escolher
Não existe um sistema universalmente melhor — a escolha depende da situação financeira de quem contrata o financiamento. Quem precisa de parcelas menores logo no início, ou prefere previsibilidade total no valor mensal, tende a se beneficiar da Tabela Price. Já quem tem condições de arcar com parcelas iniciais mais altas, e prioriza pagar menos juros no total ao longo do contrato, costuma sair ganhando com o SAC, já que o saldo devedor cai mais rapidamente nos primeiros anos. Use os campos acima para comparar as duas simulações lado a lado, com o mesmo valor financiado, taxa e prazo, e veja a diferença no total de juros pagos e no formato das parcelas ao longo do tempo.
Um simulador educativo
Os resultados apresentados aqui são uma simulação matemática simplificada, feita apenas para fins educativos e de comparação entre os dois sistemas de amortização. O cálculo considera exclusivamente o valor financiado, a taxa de juros mensal informada e o número de parcelas, sem incluir seguros obrigatórios, tarifas administrativas, IOF, taxa de avaliação do bem ou outros encargos que normalmente compõem o Custo Efetivo Total (CET) de um financiamento real, seja de imóvel ou de veículo. Os valores exatos de um contrato podem variar conforme a instituição financeira e as condições negociadas. Esta ferramenta não constitui recomendação de crédito — antes de contratar um financiamento, consulte as condições oficiais junto ao banco ou financeira responsável.